
(DES)CONTO DE NATAL
Data 10/12/2009 20:43:40 | Tópico: Poemas
| Era uma vez um tio Com umas unhas de fome Tão rombas como o fio Da tesoura que é seu nome...
(pois, era o Tio Tesouras...)
Mas um Natal, já velhinho, E com um pé preso à cova, Decidiu ser bonzinho E entrou na loja nova
(dos chineses, que abriu agora...)
Ele presentes, havia!, Só que o pobre do tio "Scrooge" Descobriu que não sabia Que alí quem compra não muge!
(não há direito a desconto!...)
Mas como até era Natal E ele estava c'os pés pra cova... Lá conseguiu afinal Pôr a generosidade à prova...
(O chinês não era tonto!...)
Depois de cheio o carrinho De plástico moldado em cores De carros e soldadinhos De bonecas e lavores...
(a conta subiu-lhe à cabeça...)
...O pobre do tio Tesouras Já suava e esguedelhava, Mas o chinês sem demoras A solução encontrava!...
(mas que brincadeira é essa?...)
Foi logo tratando o tio Por unhas de fome e tal... Mas pensando com mais tino Chamou-o de Pai Natal...
(aí vem manha!...)
Com melosa intenção E o seu melhor sorriso Gabou-lhe o ar de ancião, As barbas e até o siso...
(ah, e a barriga de banha...)
Disse-lhe que a honra era dele Por atender tal figura O Pai Natal, em carne e pele, E no olhar, que ternura!...
(o tio já se babava...)
Gabou-lhe a generosidade, Vendeu-lhe um gorro e tudo! Que até, de tanta vaidade, O tio Scrooge ficou mudo!...
(e O chinês só somava...)
No fim das contas, o velho, Lá abriu os cordões à bolsa, Satisfeito porque ao espelho Já via às costas a trouxa!
("Hein?... Não pareço o Pai Natal?...")
E até conseguiu um desconto, Que o chinês, à socapa, Tirou-lhe um livro de contos Que já entrara na saca!
("então?... não é justo, afinal?...")
E lá foi o tio Tesouras Pelas ruas da cidade A distribuir até desoras Um pouco de felicidade...
(mesmo plástica, mas então? para quem nunca deu nada, estender uma franca mão dá uma alegria danada!...)
É coisa pra experimentarem, tios Tesouras!...
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