
Oh, Quantas Saudades!
Data 08/12/2009 22:45:24 | Tópico: Poemas
| Oh, que saudades que eu tenho Do tempo quando eu era pequeno Que os anos não voltam jamais!
Minha casa eivada de animais Do meu pai a cavalo, ainda moço; Da voz materna anunciando o almoço!
Oh, quantas saudades eu sinto Dos lagos prateados e dos rios Das tardes embaixo da gameleira!
Dos amigos reunidos numa fogueira Bebendo vinho e contando mentiras Enquanto assavam as batatas nas cinzas.
Depois fui crescendo e fiquei crescido. O amor chegou em minha vida feito flor Num dia distante, formoso e cristalino.
Oh, eu era apenas mais um que curtia Raul E trazia meus cabelos espessos e crescidos Sem saber português e porque o céu é azul!
Lembro dos olhos meigos e estranhos A me olhar com olhos enjabuticabados Não sabia distinguir se eram de diabos Ou simplesmente como se olham os anjos!
Lembro... Dos dedos dela nos meus entrelaçados Do umedecer dos olhos se entreolhando Num jogo novo, bonito e mágico!
Do beijo dado num momento fantástico Dos corcovos dos corações acelerados Em pulsações pueris e não esperadas!
Do vento refrigerante movendo a relva Trazendo essências odorosas da selva Eu vendo o balouçar das rosas e dos lírios!
O corpo amado nu, salgado e em delírio Pedindo com a voz rouca mais e mais e mais. A esgrima das línguas em orgias orientais!
Os sussurros e gemidos se confundindo Com o murmurar das fontes cristalinas O olhar, sexualmente falando, de felina!
E o vento a balouçar os lírios e margaridas Fazendo alvoroço nos corpos na relva deitados Refrigerando e tornando o momento sagrado.
Oh, que saudades que eu tenho Do tempo quando eu era pequeno Que os anos não voltam jamais!
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