
Vigília
Data 07/12/2009 21:04:43 | Tópico: Poemas -> Sociais
| Sossegam-se-me os olhos no cansaço das pálpebras A hora é tardia numa noite que é ainda criança Cochilo e repasso na mente cansaços e álgebras Contas de um rosário que abraço como minhas O pagamento por ser do povo e vir ao mundo
Cavam-se em mim as olheiras, já de si profundas Detesto números, são como os meus pecados Cá se fazem, cá se pagam, maldita a factura Que pago por ousar ver-me como gente
E de novo a noite a queixar-se de mim Mitigo a insónia, desvalorizo o pânico Mando embora o sono, castigo-me assim E nesta vigília dormente e desperta Luto contra os sonhos de olhos abertos
Maria Fernanda Reis Esteves 49 anos Natural: Setúbal
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