
O Adamastor nas Amoreiras
Data 30/11/2009 00:24:55 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Qual foi o sucesso Da dobragem do cabo que comando?
Cheguei de táxi a buzinar Com pressa de chegar à Escada rolante Com a câmara de filmar. Soprei nas lojas, Chupei os cones de gelado Tão bem assinalados, Cantei tempestuosamente O que o meu cartão me deixou.
E tudo o meu vento levou, Dou tudo o que sou Menos a minha câmara de filmar. Ouvi a lenda das Amoreiras, Sobre uma fita muito boa Que ficou a rodar. Vim tentar a minha sorte, Que pode acontecer alguma coisa Só por cá andar...
Sou o Adamastor, sou Portugal, Faço tempestades, posso filmar, Colarinhos e pérolas comprar. Sou da era do analógico, Tempos que pretendo replicar.
Não tentem minhas palavras Dissecar, Que más intenções Vão sempre encontrar. Afinal, eu sou Portugal. Sou tempestade que vai e vem, Construída de dívidas E peixeiras sucateiras. Sou apenas um monstro À procura de meninas Nas torres de Lisboa, Das mais insuspeitas E finas.
O Adamastor sabe o que faz... Rouba, mas faz. Mas com a idade que já me pesa, Só já marco um ou outro Dia chuvoso. Em dias de compras Nas Amoreiras Faz sempre um sol radioso.
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