
FIM DE DIA
Data 01/07/2007 13:32:58 | Tópico: Poemas -> Amor
| Chego sem saber que aqui estavas, cansado do meu dia, sabendo-me descrente de tudo o que não seja dormir. Quando entro no quarto, e um resto de sol coado em cortina te revela derramada sobre a cama, avermelhada, dourada, renasço em outros humores, mas com a certeza de estares dormindo. Dou por mim imaginando banhos, agitando martinis, acendendo velas para um jantar de vinho e queijos, à média luz. Dou por mim pensando no que fazer, enquanto me vou despindo para te surpreender, e te dar o despertar sacana, memorável, que adormeceste esperando... E tu ali, nua sobre a cama, em total ignorância de mim e do agito que matou o meu cansaço, pareces-me subitamente frágil, pequenina, mais garota travessa que mulher ladina... - quase inocente ! De seios esmagados contra o colchão, ganhas novas curvas e relevos, e as tuas nádegas, nessa posição, sobre o lençol escuro e brilhante, eternizam-se como numa pintura antiga, e gritam-me aos sentidos. Chego perto, ainda sacudindo um resto de roupa, para um beijo quase casto, sobre os cabelos, numa quase-esperança de que despertes, e me poupes o remorso de te acordar. Beijo-te suavemente, cheirando-te, enquanto te viras e me olhas por um momento, sem me veres, já de regresso ao teu soninho gostoso. E nesse olhar, que foi tão rápido, brilharam estrelas escuras, só para mim, prometendo prazeres e loucuras que, o sono, apenas adiou. No teu sono, ainda me aguardas -sem saberes que já cheguei. E que te amo, pelas promessas que fizeste, sem saberes que fazias...
Itapecerica, Maio 2007
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