Geometria da alma

Data 18/11/2009 23:14:10 | Tópico: Poemas

Vem,
Volta hoje,
Não te vás ainda,
canta-me mais uma melodia rara,
a morte cansa-me, exorcizo-me na calmaria.
Seja o fim do dia torpe e lento, absorto no nada,
o iniciar-se de mais uma noite morna, enrugada,
silenciosa demais, abandonada, vadia.
É difícil passar pela travessia sem asas,
vislumbrar-me nefasto, fazedor de sonhos.
Carrego o meu cajado, peregrino-me mais,
pé ante pé, caminho lento, magro, só,
no espaço amplo vergo-me,
calculo-me na paixão indolor,
o sangue passa por mim veloz,
a lágrima não me quer,
um anjo eleva-me,
pacifica-me,
sou ele,
um só,
um.


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