
Cadeira Vazia
Data 02/11/2009 19:37:18 | Tópico: Poemas
| Vai se ler na primeira página a história dos primeiros passos andados e amados Logo à frente, na primeira curva da estrada vai procurar pelo tempo apressado Ao passar por lá o tempo não parou e nunca pára só a gente pára, mesmo não tendo curvas Bom mesmo é que a memória grava tudo e as rugas mostram aquilo que o tempo não gravou
Na segunda página com letras de criança ficou bem gravado que o futuro seria perto e duro Como de todos, é o preço que se paga por tudo de belo que sempre a vida permite a todos Não precisa trocar as pilhas dos olhos, nem querer que suas meninas cresçam antes da hora Nem trocar o cd do cérebro, ele vai gravar e mostrar tudo, sem nada reclamar, tudo de graça
Lá pelos doze vem a terceira página e tudo começa com a louca vontade do aprender tudo Ânsia maluca de tudo fazer a qualquer preço, como se não houvesse muito tempo pela frente Vai embolar doce com azedo, salgado com sem sal, bem amado com mal amado e vai tocando Escrevendo tudo hoje e que irá apagar amanhã, pouca coisa ficar na memória, melhor caderno
E assim vamos, fazendo um pouco a cada ano e a cada ano aprendendo e morrendo um pouco Um passo para o futuro e um passo para o jardim desconhecido e mágico, até lá pelos trinta É quando o tempo sem pressa torna a vida apressada e o caminho mais curto é o futuro certo Depois dos trinta numa progressão louca se dá um passo à frente e dois pras bandas do “num sei onde”
Na última página, talvez mais tarde, quando o sol levar o dia pra traz da montanha E a luz do dia for trocada pela beleza do escuro da noite fria e silenciosa, na cadeira vazia Neste momento o milagre do tempo irá trocar a pele macia por rugas lindas, na cadeira vazia Onde em cada curva outros vão ler tudo que escrevemos durante o dia, na cadeira vazia
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