
Sobreiro
Data 01/11/2009 23:05:12 | Tópico: Poemas -> Paixão
| A noite vai caindo sobre o montado, a luz do ceu vai descendo lentamente em busca de outros campos, outros prados, outras gentes... Já o sobreiro da eira geme a falta do Sol, entristece a rama e descai o tronco, as raizes encolhem de frio e as folhas caem secas, melancolicas, dolentes... A lua insinua-se e faz a corte ao sobreiro da eira, ilumina-o tambem, da-lhe a mão, dá-lhe guarida e afeição. E o que resta ao sobreiro? Apenas aceitar, mas, não é ali que o seu coração bate, não é pela lua que a sua alma geme, apenas vadiam o asfalto na loucura da noite. E nas noites em que a lua não esta, o sobreiro fica mais só, sem o seu amor e sem quem o ame... É nessas madrugadas que surge o desejo pelo lenhador do machado, a liberdade daquela opressão dolorosa, o principio do fim. E assim é a estranha alma do sobreiro da eira, que ora chora ora ri, ora vive ora morre.
RICARDO LOURO
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