
Sou eu, apenas não o posso provar
Data 30/10/2009 22:38:18 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Alvorada azeda Vómito gástrico enegrecido Declina pudor Além pejo, avistado vindo Na rua cão derrubado O passeio, a almofada, o encosto Cheiro fétido Couro de suor encardido Mirar ferraduras e éguas Uma pauta em trote lento Apontam-me…
«Quem és tu?»
Voz familiar, desassossegada
«Sou eu, apenas não o posso provar»
«Não és não, não és quem dizes»
«Sou eu, apenas não o posso provar»
Arqueiro da calçada Repousa o dia em serviço Horários findos Acorda e trabalha Proteje a rua Adorna o caixote e o lar Carruagens insistem, também tu tal Dilata ao sol da manhã Corpo que alonga e fim cede Sucumbe ao desenho geométrico
Já não estás quando olho…
Guardaste a pergunta O sonho e a razão Vendados sem fôlego Derrotado, coço as crostas no tempo O perdido As lágrimas pelo soalho empedrado Pétalas são coroando o rei defunto
«Sou eu, apenas não o posso provar»
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