
In Extremis
Data 30/10/2009 13:26:29 | Tópico: Prosas Poéticas
| Há inquietantes cheiros no ar, fragrâncias intensas que nem a chuva consegue levar. Cristalizações de plasma vivaz. Que cheiro adocicado, cadaverina negra flor de lírio.
O perfume desenha a leveza do desespero, que tem o brilho,a dor, o desejo. Dou comigo às voltas na cama. Caio no mais profundo de mim.
Hoje é dia de exorcismo. Confesso: “ Tenho uma amante”
Tento resistir, mas não consigo, não adianta, não quero. Só de olhar para Ela, a sentir, uma dor trespassa alma. É linda, poderosa, deixa-me completamente indefesa. Seu encantamento é tão grande que me apetece ser possuída, ali mesmo, a todos os instantes. Sentir seu frio, sua pele alba, sua língua vagarosa. Quero-a, Quero-a.
Hoje percebi, que não consigo mais esconder este meu adultério moral, Podes julgar-me. Estou aqui.
Entendo a natureza humana como incompleta, um puzzle no qual por cada peça colocada, revela duas em falta e quanto mais amo, mais preciso amar, ser amada, tu não? Ela ama-me. Com toda a força que não tenho, como nunca ninguém me amou. Está comigo desde o meu primeiro momento de existência mortal, nunca me abandonou. Conheces alguém que esteja sempre presente onde estiveres? Eu não, mas ela está. Quero-a só para mim. tenho ciúmes. Sei que ela é me infiel, a todos seduz, a todos quer e, no final ninguém a consegue negar. Seu nome? Queres saber o seu nome? Morte, conhece-la?.
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