
A cada dia vou caindo na noite escura como se ela fosse a eternidade.
Profundo é o sono que me espreita na claridade solto-me do cansaço, como se eu fosse a cair num poço de pétalas rubras.
A passagem do ontem vem no que depois do durante sou.
A luz senta-se nos suspiros meus outrora limites do tempo que não viveu.
Agora, deixei de ser ontem nem quero ser hoje nem quero ser amanhã.
As origens existências do meu eu não querem marcar esta minha passagem porque não sou o sonho realizado em mim mas a força de o realizar um dia.
O caminho que é meu não quero marcar pois sou todos os caminhos do meu imaginário a minha presença satisfaz-me num silêncio quase religioso de pecados meus.
A cada dia espero que a luz venha iluminar cada noite de onde venho, para onde vou.
Todas as coisas que me esperam e não me falam eu não digo a ninguém apenas cheiro a luz do movimento que me embala a alma e a alma traz o sorriso gigante que viaja pelo mundo.
Conheço cada cor de cada borboleta azul e as minhas descobertas de paz são paisagens que alcanço no meu respirar.
Reinvento-me a cada entardecer enquanto meu caminhar vai de pés descalços trago velas acesas nas delícias sentidas e os aromas que recebo são saudades dos tempos da infância.
os espirais são rubras rosas de fé a criar minhas texturas dentro das minhas poesias e a noite tem os temperos de cada abraço que não dei durante o dia.
Meus sonhos são flores minhas flores são rubras rosas desfeitas em lágrimas por cada andorinha morta.
Na noite vou e inspiro o beijo nos gestos de amor enquanto os desejos são o sol da madrugada que nunca deixou de ser o meu recomeço.
Palavras são palavras se não são escritas, voam com o vento as palavras nunca recuam quando ditas e o céu agarra-as para toda a vida e guarnece todas as estrelas que nele cintilam.
|