trinta e 6

Data 27/10/2009 22:38:33 | Tópico: Textos


nunca a chamei pelo nome, duvido que tenha nome próprio, se o tiver deve ser um desses substantivos monossilábicos, qualquer coisa simples como o mar. nunca gostei de dar nome às coisas ou às pessoas. sabia-a perto porque me cheirava a primavera, mais perto ainda quando me sabia a sal. ela nomeava todas as coisas como se os nomes que lhes dava fossem morrer com elas a seguir, quando num ápice de loucura ou terror, move-se o corpo. julgava que era nela que crescia a morte, qual flor silvestre a nascer num muro, quando nem sequer é tempo de flores, nem de muros. eu sabia que nela nascia o nome de todas as coisas que eu nunca soube existir.



Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=104649