
Prazer
Data 23/10/2009 15:36:41 | Tópico: Poemas
| Cantam-me os vermes canções vadias, inebriadas pela candura, perduram os olhares acalentados pelo vómito atroz da mágoa. Vítima do arrebatador, intenso, lúgubre e morto mar, anjo de asas caladas, amedrontado pela memória. Incendeio-me por dentro, calo-me e lamento, nem o luar me trás luz à alma, nem descanso me concede, estagnei como águas mortas num pântano inerte, deitei-me, repousei nas folhas que teimo em queimar, retalhei pedaços de sentimentos sem sentido. Já não me quero. Quero outro para mim. Já não me sinto. Quero outro a sentir-me. Finjo que não me delicio, minto a mim mesmo, dou mais do que aquilo que me concedo receber. Encosto-me na tentação, apadrinho prazeres vãos. Dou-me, calo-me, avanço, amedronto-me. Foge-me, fala-me, retrai-te, tem coragem.
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