
A sede pacífica da minha alma
Data 20/10/2009 07:43:34 | Tópico: Poemas
| A sede pacífica da minha alma
Há um grito de dor na terra ainda morna, um quebrado amanhecer, Que se torna breve resquício, ainda acalentado nas aves em círculo. Deixei-me subir ao Thor, cansado na penumbra, rodeado de fantasmas, tracei o círculo mágico, protector dos magos assombrosos, gritei pela magia, soltei-me no lago azul obscuro, negro pelo luar. Comunguei absinto, em vez de mel, exalei fel, amargo e lúgubre, dei a minha pele ao corpo que a suplicava, juntei-me a ele, em prazeres vadios, orvalhos queimados de luxúria. Se uma chama viesse tocar a alma que me aquece, se um lampejo luminoso agredisse o meu olhar, se um toque misto, entre a ternura e o ódio, me pudesses conceder. Enfatizaria a inexistente infância, aprisionada no claustro incensado, cansar-me-ia da carne e do sangue que morreram na luta insana, pedir-te-ia novamente a vida que negaste. Amaria pai e mãe. Dar-lhes-ia de novo o maná em mim, o desejo puro e inocente, o melado doce cheiro da minha pele ainda intocável, saciaria a sede pacífica da minha alma, tornada imunda pelo esquecimento e pela ausência, tornada ave listrada, consumida na dependência, cansada da noite insana, silenciosa, que não me adormece.
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