
SOLIDÃO
Data 16/10/2009 16:11:41 | Tópico: Poemas
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Ah! Solidão, solidão Mãe de tanta amargura És a irmã da tristeza E filha da desventura
És namorada da saudade E noiva dos amargurados És esposa das recordações E amante dos mal amados
És o lenço que na mão Acena a uma partida És a lonjura do coração O sal da lágrima vertida
És mil mortes numa morte És o soluço reprimido És a sina da má sorte És o silêncio vivido
És da alma o reflexo Na tristeza de um olhar Um sentimento complexo Que a muitos faz chorar
Inclemência da clemência Inconstância da constância És a loucura da demência E o vazio da substância
És um Verbo Intranquilo Que se conjuga sem querer És no cérebro tudo aquilo Que nunca deverias ser
És o ser e o não ser Da imagem que se recorda És a insónia ao adormecer A alvorada que nos acorda
És no positivo, a negação O não e o sim do querer És o passado em evolução E o presente do sofrer
És a recusa do sorriso Que nos lábios, desaparece És o culto do indeciso A voz, que o silêncio oferece
És a amarra da vontade E a âncora da nostalgia És o navio da infelicidade Onde se navega noite e dia
Como solidão és clausura O retiro e o isolamento És a saudade e a ventura Transformada em sentimento
Por lonjura, a total ausência Por morte a ausência geral Na vida, saudade é paciência Na morte, a saudade total
És o amor da paciência És a palavra calada. No murchar da consciência És a sobrevivência do nada
Na saudade da lonjura Feliz, aquele que a tem Pois numa carta de ternura A solidão vai e vem
Infeliz é quem não tem Saudades na solidão Sinal que não tem ninguém A quem dar o coração
delgado
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