
Em repouso nas Catedrais
Data 15/10/2009 07:31:40 | Tópico: Poemas
| Em repouso nas Catedrais
Repito incessantemente o insano, abrupto, agreste olhar, que deambula pelas salas abandonadas, cheiro a pântanos esquecidos, ocultos dos mortais. Não quero abafar a dor por ter em mim o amargo desejo. Canso-me em cortes, dilacero espelhos quebrados, quero-me morto na voz alagada, imersa nas ideias perdidas. Seco de sentimentos. Já farto de noites em maresia, emoções apodrecidas, nas varandas do descontentamento. Quero-me esvoaçante no espaço alado, Quero-me com asas de ave de rapina, cruel, em descanso nas catedrais. Olho para dentro, sou o inerte, selvagem, e negro mago, o fiel depositário das cinzas do Outono. Sigo pelas calendas de Maio, gozo dos prazeres do tempo imundo. Faço as minhas orgias nas fontes sagradas, e comungo no Altar insano, dentro da minha mesma pele.
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