
CRIANÇAS DO ABANDONO!
Data 07/10/2009 18:27:26 | Tópico: Textos -> Desilusão
| Crianças são semeadas São sêmen-tes plantadas, No seio materno da existência Brotam-se da água, da natureza Do amniótico liquido prover.
Inauguram-se na vida... Com a missão, à obrigação factual, De ser o elo da própria continuidade
Em sua carente fragilidade, Precisa do abraço terno, provedor A lhe criar raízes e através delas A crescer, se desenvolver, Se fortificar, se tornar arvore, De boa sombra frutífera
Mas nesse mundo injusto e cruel... São lançadas a própria sorte... Aos ventos do acaso, a sofrer na pele O estado vergonhoso da miséria e injustiças, Do brutal desumano, que lhes rejeitam.
São filhos da fome, da solidão, Dos medos, da injusta miséria, Habitam sob as marquises, Sobrevivem dos semáforos, Alimentam-se de líquidos solventes Desmoronam-se na fumarada dos craques
São marcadas na alma, Pelos açoites das tragédias E se perguntam o porquê... Vão ao abandono abrir feridas Pútridas dos sentimentos, da não resposta Que com o tempo, criam crostas, arestas...
Que viram espinhos, cacos de vidros, Estiletes, revólveres, armas De dois gumes, a ferir, matar e ou morrer. São troféus gerados das desilusões... Do moldado caráter, pelos infortúnios.
Condenam-se à convicção do instinto De perder a cruel lucidez Toxicada, alucinada, no torpor De suas carências e revoltas, Pelas feridas que sangram ...A ingratidão da vida.
Lufague.
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