
RUAS DA NOSSA SAUDADE
Data 06/10/2009 12:16:03 | Tópico: Poemas
| Q’ saudades da minha rua Nas manhãs de sol de inverno Quando a brisa sopra fresca Nas folhas soltas ao vento Estrada abaixo até ao parque Do nosso brincar tão terno.
Saudades são tantas, tantas Dos amigos, reinações Das corridas, das touradas Num fazer de conta, lidas Nos cornos das brincadeiras E dos nossos corações.
Que saudades do Janeiro E do Carlos gordo da Vila. Do Zé Manel da tourada Com dotes de carpinteiro. Deste ainda guardo a espada Na lembrança tão tranquila.
Saudades também de amigas Divertidas prazenteiras Lembro a Helena charmosa E a Cecília… a mais gulosa. As corridas em bicicletas E os trambolhões pelas beiras.
São saudades pelas trindades Da Vila do Campo Pequeno Eram assaltos de garotos Aos baloiços de gigantes Investidas rumo aos céus Sem horizonte terreno.
Saudades até dos jogos Das mãos sujas das caricas Atiradas nos lancis dessa rua Decorada, a palmo analisada, Por berlindes de mil cores A rolar soltos de intricas.
Lavo as saudades nas pedras Em cada Verão a caminho Daquela rua sentida Porta acima porta abaixo Passagens para a liberdade. Onde a amizade fez ninho!
ROQUESILVEIRA ------------------------------- em reflexo de:
RUA DA SAUDADE
Que saudades da minha rua Nas tardinhas de Verão! Quando a aragem brincava, A esconder-se do calor, E subia a calçada, Direitinha do Marão!
Tantas saudades, tantas!, Das sestas ao relentinho, Ou na soleira da porta, Aprendendo a bordar Flores que minha mãe plantava Em retalhos de branco linho!
Que saudades das Trindades Em ecos na minha rua... Quando aplacavam os suores, Chamando aos doces lares Afazeres de sol-a-sol, Afagos de lua-a-lua!
Com as pedrinhas lavadas Pela chuva de Verão... Que saudades da minha rua, Em subida para o céu, Atapetada de flores Em dias de procissão!
Que saudades da minha rua! Dos Domingos soalheiros, Quando os moços se vestiam De lavado e bailarico, E sua alegria enfeitavam De namoricos brejeiros!
Tantas saudades me dá Lembrar o ledo bulício Da minha rua que era Avenida Principal Dum tempo em que minha aldeia Era meu Mundo patricio!
Que saudades das vindimas, Quando a azáfama era crescendo Na calçada adocicada Pelas lágrimas dos bagos Sacrificados nas rodas Dos carros de bois, tangendo...
E o aroma de açúcares Ainda hoje os sinto assim, No melhor cofre que guardo, Junto com os sons do fado, No altar de viva saudade Que mora dentro de mim...
Hoje só o silêncio mora Na minha rua esquecida... As gentes negam-lhe os passos, Preferem estradas e carros E desdenham a calçada Onde pisaram a Vida...
STEREA
(A calçada da minha rua é a subir e a descer... ... assim como a minha Vida, calçadinha de sofrer...)
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