
VIII. A Idade da Terra
Data 30/09/2009 07:16:29 | Tópico: Poemas
| VIII. A Idade da Terra
Recusava-me a ver, mas o triângulo de fogo sempre ardeu nas tuas mãos. Três, por três alturas da terra procurei em vão satisfazer o prazer do teu corpo, e a loucura das tuas mãos em mim.
No solstício queria que me atasses mãos e pés, pois a loucura, com o despertar do sol, dominava todo o meu ser, e tornava-me monstro marinho e ave de rapina. Tornava-me lobo das montanhas e lince das florestas, predador de sonhos, e devorador de fantasmas e das tuas entranhas, alimentado pelo sangue que se derramava das tuas veias. E sentia a luz ardente por detrás do teu olhar, e como pulsava o teu coração quando se encontrava junto do meu.
No equinócio procurava libertar-me dos dias aziagos, que porventura houvessem ocorrido entre as ondas da nossa relação, e traziam-me os ventos o odor das pétalas frescas e da terra em morte lenta. E falavam-me da obscura luz e da queda das folhas e que as árvores já haviam se despido.
Na outra idade da terra só havia silêncio. Não existiam palavras e as bocas só se uniam para beijar. Na outra idade da terra nada existia, apenas um só céu e uma só terra para nos amarmos, só um sol para nos aquecer e nada mais. Nada que houvesse para acalmar, pois em paz estávamos, contemplando o Principio do Mundo.
Do Livro de Joma Sipe "Afoguei-me Em Ti" - Parte I - Os Dias da Criação Ou O Antes de Ti
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