
VII. Ego Sum Aquae Vitae
Data 30/09/2009 07:15:38 | Tópico: Poemas
| VII. Ego Sum Aquae Vitae
Eu Sou a Água da Vida. No medo da morte me protegi.
Nos olhos do desconhecido e da obscuridade, encontrei meu refúgio porque tudo me aproximava e afastava de ti, e a fogueira consumia toda a lenha que formava o esqueleto do meu corpo.
No meu sangue ardia a fresca chama que sempre repousou sobre as águas claras, mas, agora, que despertou a flor de lótus na coroa da minha cabeça, e na minha fronte foi depositado o símbolo da vida, procurei-te em vão, sem te encontrar.
Procurei-te nas manhãs claras de raios de sol luminosos. Procurei-te debaixo das rochas das montanhas e nas fontes de águas vivas. Procurei-te na imensidão dos céus e por entre as asas das aves de rapina.
Encontrei montanhas, vales e corpos desnudos, na paisagem obscura da tua Alma. Encontrei águas tormentosas e torrentes de cascatas de azul e fúria, em constante movimento, num ritmo frenético de sons, odores e movimentos. Águas correntes. Fugindo da fonte da montanha. Correndo em direcção ao oceano. Correndo em direcção à Foz do Espírito, habitante das profundezas dos nossos corpos.
Eu sou a Água da Vida. Eu Sou. Eu, aquele que nasce e renasce, sem nascimento e sem morte. Nascido, vivo e morto, para todo o sempre.
Do Livro de Joma Sipe "Afoguei-me Em Ti" - Parte I - Os Dias da Criação Ou O Antes de Ti
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