
frascos de sementeiras em morgue universal
Data 29/09/2009 06:00:24 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| cadáveres que inchavam a terra putrefacta de leitos montanhosos no cume do zumbido sôfrego enfermeiras falecidas lavavam moscardos de rapina eram escorridas sanguíneas mandíbulas
bisturis fendiam-se às linfas a cirurgia era bicada emplumada no palato se degolavam as línguas as cicatrizes apalpavam os ossos rasgados costurados à agulha indolor saciedade da consistência das aparas do ontem o plasma fecundava o cultivável
semeados olhos germinados à órbita cérebro torácico com urtigas testiculares brotados em ramalhetes frondosa planície epidermal clitóricos preenchidos de suco relva penugem com genital orvalho línguas ramificadas de ciprestes instigado insaciado adubo e os esvoaçados deglutiam as iguarias
frascos de sementeiras jazidos aconchegados nos ninhos futurologia germinativa à gula e os cadavéricos esventrados de sementes eram morgue universal
© Bruno Miguel Resende
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