Hoje, eu ando por ruas
Estradas que eram nuas
Agora fervilham de estranhos
Que correm tal qual baratas
Fugindo de predadores
Insetos estranhos – sem nome
Sem marcas – olhos da dor
Carícias, castelos, noites insones
Correm carros – antigas carroças
Perfeitos bólides em minhas lembranças
Perfil de criança
Fecha certeira num coração senil
Eu vejo verões adentrando abril
Agora sinto no inverno
Juntas alquebradas
Bengalas sustentando meu corpo
E com ele as minhas memórias...
Mário Feijó
Artista plástico e Poeta
Brasil