Caminhar em círculo
É a arte de ir sem nunca chegar,
De medir o tempo
Em passos gastos sobre o mesmo chão.
É o ensaio infinito
De um destino que se repete,
Onde cada curva já foi traçada
Antes mesmo do pé tocar o solo.
Os lugares são os mesmos, mas as sombras mudam,
Como se zombassem do desejo de fuga.
O tédio pesa nos ombros como a pedra de Sísifo,
Rolando e rolando, sem jamais repousar.
E se a vida for só isso?
Uma coreografia exausta,
Um relógio sem ponteiro novo,
Um eco sem voz original?
Ainda assim, seguimos.
Porque mesmo na repetição há nuances,
Um raio de luz
Que dobra de forma imperceptível,
Um silêncio que respira diferente.
Talvez caminhar em círculo
Seja apenas uma forma sutil
De desenhar espirais
Que ainda não aprendemos a ver.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense