Poemas : 

Poema de Contrabando

 
Bágoas no olhar e um tiro certeiro
Que ali lhe deixou a vida marcada
Dois montes e uma ribeira a salto
Pão mais água para um dia inteiro
Campo para deitar a vida cansada
À mercê da noite caída de assalto

Na lembrança três sorrisos tristes
Bágoas no olhar e um tiro certeiro
Trémulos medos que dão coragem
Aquela voz a dizer que tu resistes
Onde dois se olham no frio rueiro
Onde fusco t'esgueiras à margem

Do horizonte um destino tão longe
Que te arrasta esse corpo a passo
Bágoas no olhar e um tiro certeiro
Chuva que afoga a dor que punge
Num dito não d'outro sim escasso
D'exigentes farsas de muambeiro

Leva de ti o que te morre primeiro
A dor de orgulho ou medo de fome
Mulher e filhos ou o dia de amanhã
Bágoas no olhar e um tiro certeiro
Porque se a saudade nunca dorme
Será a nobre liberdade quimera vã


A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma

 
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Alemtagus
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Enviado por Tópico
João Marino Delize
Publicado: 04/04/2025 14:27  Atualizado: 04/04/2025 14:29
Membro de honra
Usuário desde: 29/01/2008
Localidade: Maringá-
Mensagens: 2009
 Re: Poema de Contrabando
Gostei muito, só não sei o que é bágoas.


Enviado por Tópico
AlexandreCosta
Publicado: 04/04/2025 15:47  Atualizado: 04/04/2025 15:47
Colaborador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 669
 Re: Poema de Contrabando
numa leitura bruta:
Muitos fizeram vida assim, nos tempos difíceis da ditadura, quando a fome apertava, no estômago colado às costas.

por outro lado...:
procurei-te nos montes inversos, como alma que parte em jornadas de luta, para trazer à praça as palavras que definem a liberdade de ser, poeta sem grilhões... houve um tempo, das bágoas e dos tiros de não o deixarem ser!

um abraço e bom fim de semana