Poemas : 

Trans(f)i(gura)ção

 
Tags:  paixão    pura  
 


parecia uma santa branco leve
com cara azul de encantar poetas
mas se lhe soprasse o vento suão ao norte
nascia-lhe túnica ousada em carne viva
com músculos de encostar às paredes
e gracejos de pura ingestão
trazia um desfalque de folículos
por onde espreitava uma fuga festiva
progresso nas mãos encharcadas de engodo
quase fungo lascivo ao fundo dos olhos
e contramuro era de espalmar as costas
entre batidas e retiradas
armada suculenta
tudo a prumo a esbanjar no espaço
era toda mundo de ricochetes
até às asas de fogo circundantes do ar
a espessar o quadrante lotado
no fim implodia no grito
e voltava sempre à san(t)idade


03-04-2025


 
Autor
AlexandreCosta
 
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Enviado por Tópico
Alemtagus
Publicado: 03/04/2025 16:19  Atualizado: 03/04/2025 16:19
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 Re: Trans(f)i(gura)ção p/ AlexandreCosta
A metamorfose das letras e das ideias, a transição das imagens poéticas que daí saem e o poeta propriamente dito, disputam o poder que emana do poema. Depois, a falsa santidade, insana, que dança junto a essa fogueira cujas labaredas envolvem o olhar quase em hipnose. A leitura, dependendo da forma como é feita, deve ser acompanhada de um bom vinho, preferência por um tinto Syrah, pois corre o risco de o leitor entrar num estado de transe quase irreversível.