Poemas : 

Para Vandapaz (99ª Poesia de um Canalha)

 
E mesmo que a morte me beije eu me ergo
Devoto lhe roubo vida da velha opa tisnada
E num último abraço a trago assim em mim
Se insana queimar essa alma que postergo
Me leve igual corpo que tudo vale sem nada
Deste caminho de meio princípio e novo fim

Que se permita dor e flagelo por estas mãos
E de olhar vendado se vislumbre o outro dia
Tingido por estas cores imaginárias do poeta
Mundo clivado p'lo ódio de amantes malsãos
Fogo qu'arde sem se ver na fogueira doentia
Adágio qu'a sua vida já desumana interpreta

Que depois cresçam nos campos novas flores
Na boca dos povos novos verbos ditos de paz
E que os livros ganhem asas que não tivemos
Que o pão não escasseie e mate outras dores
As lágrimas sejam chuva do passado lá atrás
E tu ainda lembres a vida que vivos sentimos

E mesmo que a morte me leve ainda vejo
O sorriso que os meus pais aqui deixarem
E numa folha escrita em branco o amanhã
Se insana quiser queimar este meu desejo
Triste recorde os epitáfios que me fizerem
E caia a meus pés seu mundo de glória vã


A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma

 
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Alemtagus
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Enviado por Tópico
gillesdeferre
Publicado: 30/03/2025 20:22  Atualizado: 30/03/2025 20:22
Da casa!
Usuário desde: 14/06/2024
Localidade:
Mensagens: 368
 Re: Para Vandapaz (99ª Poesia de um Canalha)
Poema superior.
Que do passado a vida possa florir de sorrisos felizes.

Abraço
Gillesdeferre


Enviado por Tópico
KaiiqueNascimentto
Publicado: 30/03/2025 22:07  Atualizado: 30/03/2025 22:07
Da casa!
Usuário desde: 23/09/2014
Localidade: Francisco Morato - SP
Mensagens: 305
 Re: Para Vandapaz (99ª Poesia de um Canalha)
Esse poema é direto e vivido. Dá para sentir o peso da morte e, ao mesmo tempo, uma resistência teimosa contra ela. Tem dor, tem luta, tem aquele fio de esperança que insiste em não se apagar. Cada verso carrega um significado que ressoa além da leitura. O ritmo é tão preciso que bate na alma, e a última estrofe termina como começou: encarando o inevitável sem baixar a cabeça, com unhas e dentes. Uma homenagem que não se curva ao fim, mas o desafia. Belo e brutal ao mesmo tempo. Parabéns por algo tão vivo, mesmo falando sobre o fim.

Abraços, Kaique Nascimento do Amaral !