Eu a vi de mãos dadas com outro amor,
O riso leve, o olhar de quem sobreviveu.
Um dia, esse brilho era para mim,
Hoje é dele, e o tempo correu.
O vento tocou seus cabelos, tão belos,
E eu, na sombra, fiquei sem sua luz.
Os passos dela já não me procuram,
Mas seu rastro em mim ainda reluz.
Ele a segura como quem tem tudo,
E eu sou só um eco mudo de saudade.
Não há mágoa, talvez só as lembranças,
De um sonho que foi e não volta à realidade.
Que seja feliz, murmuro ao vento,
Mas levo comigo essa dor no coração.
Pois amei como quem se entrega inteiro,
E hoje sou só um passageiro da solidão.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense