Quando as luzes aos poucos se apagam
Venho e sento-me sozinho em meu bar
Ao invés de aceitar as lágrimas que chegam
Abro uma porta que me leva a algum lugar
Guardo comigo uma lembrança caso deseje ficar
E eu corro muito sirvo-me de gargalhadas esquecidas
Escrevo o que vejo nos riscos do vento pra depois lembrar
Aqui pela ampulheta de uma canção sinto-me cheio de vida
Percebo-me cansado ainda que lute muito contra isso
Me assusta não buscar novos sabores da velha Primavera
Aceitar calado palavras que ao espelho me deixam submisso
Ouve um tempo em que os sonhos me moviam não o que já era
Graças a lembrança que levei comigo eu pude voltar
Voltei ao encontro de um abraço que fosse apertado
Agora sentado em meu fictício bar com a caneta a girar
Só posso esperar arrisco um verso enquanto ouço este fado
Deus abençoe os que atravessam a madrugada
Carlos Correa