já te subi como montanha
já te desci como escarpa
já te fui teias de aranha
já te fui dentes de carpa
já te amassei como pedra
já te abri fole à concertina
empolei-te como quem medra
já te fui ave de rapina
já te toquei como quem foge
já te fuji como estivesse a chegar
já te dei ontem quilos do hoje
já te fui doce vinho no lagar
enquanto te fui de flancos largo
alcei-me em ti como hoste
abracei-te o mais amargo
até ao mais doce que foste
agora que nada te sou
enquanto a noite me espera
espero que nada me sejas
antes que me cubra a hera!
27-09-2024