
Meus Dias
Meus dias humano
tem o gosto mecânico
de um deserto de pedras pevertidas
eu alucinadamente morto
fico no conforto de uma jaula
de visões alucinadas e incontidas
contemplando-me em uma imagem convexa
alongando-me na minha face longínqua
e partindo minha alma que finda
São cintilantes meus cacos de vidro
mas as saudades de sonhos sem fim
pertenciam a ela
talvez um pouco reduzidas
mas indivisivelmente era a mais bela
naquelas quentes tardes de carnosidades
como uma sentença edificante
em corpos suaves
Mas não sei
porque não queres
que eu te fale querida
Que apague de meus olhos a vida
com meu modo de olhar
Não sei
porque mostra-me
esta pedra tão pesada e narcisa
de forma imprecisa
por não querer me amar
E eu me faço adormecido pelo ópio
com a alma plainando na lua
o meu pensamento em flor que flutua
em um rio de um infinito amor
Alexandre Montalvan
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