
Cindindo a vastidão do Azul profundo,
Sulcando o espaço, devassando a terra,
A Aeronave que um mistério encerra
Vai pelo espaço acompanhando o mundo.
E na esteira sem fim da azuleá esfera
Ei-la embalada na amplidão dos ares,
Fitando o abismo sepulcral dos mares
Vencendo o azul que ante si erguera.
Voa, se eleva em busca do Infinito,
É como um despertar de estranho mito,
Auroreando a humana consciência.
Cheia da luz do cintilar de um astro,
Deixa ver na fulgência do seu rastro
A trajetória augusta da Ciência.
Augusto dos Anjos (1884-1914), poeta paraibano que deixou a vida terrena bem jovem aos 30 anos.
Foto: 14-Bis com balão, Paris - 1906, com o pai da aviação Alberto Santos Dumont.