tantos dias sem os verdes voos d’ olhar
sem que no céu o ar barrento fizesse rodopios.
nem visgos nas lembranças,
farelos ou estampas de braços
sem mangas acenaram nos
meses a vagar.
na derrota dos olhos
para as pálpebras,
um baque!
o susto ao encontrar teu corpo em arco
a catar conchas na arenosa
propriedade do sonho
enriquecias colorida uma das mãos
enquanto a outra recolhia
os desertores das águas.
tal qual inspiração
conchas dentro d’outra
multiplicavam-se
e os sobejos faziam voos
crepusculando o céu
de mutações.
na praia teus passos
reprimiram-se para outros
galgantes de pássaros
colhedores de asas
dos meus cantos.
em um ato inopinado
lançaste teu chapéu
nevado
no mar saudoso do meu
olhar
devagar ele foi indo
no mareento balanço
teu chapéu partindo
manso
se infiltrando nos meus
olhos
querendo de novo
meu despertar...
Aquela mania de escrever qualquer coisa que escorrega do pensamento.
