O passarinho na roseira
Teceu um ninho tão singelo,
Filhotes brincam à tarde inteira,
Saltitando entre espinhos pelo céu.
Espertos, ganham comida no bico,
Vigiam tudo com olhar atento;
Lá vem seu pai, pequeno tico-tico,
Trazendo alimento ao momento.
Pequena rosa em botão,
Guarda sonhos de liberdade,
Mas nunca deixou o chão,
Preservando sua quietude.
À noite surgem vagalumes,
Pontos cintilantes no escuro,
Dançam em meio aos perfumes,
Iluminando o mundo obscuro.
Não sabem do destino incerto,
Que a vida cruel pode impor:
No estilingue de um menino alerto,
Virão a cair em dor e pavor.
A rosa, dentro de um vaso mudo,
Perderá seu viço ao acaso,
Murchará longe do seu jardim agudo,
Prisão silente, triste ocaso.
Os amigos vagalumes se apagaram,
Desligaram seu brilho noturno...
Não vejo mais seus clarões — sumiram!
Foram isca? Ou apenas inverno?
Geremias
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