Eras frágil e eu sabia vê-lo
Quebradiça como gelo
Rendida a mim pelo sentimento
Que transbordava vindo de dentro
Eras frágil e eu ignorei-o
Tentei vencer-te por receio
Não medi os atos com precisão
E causei mais dor que emoção
E finalmente cai em mim
Percebi que eras mesmo assim
Precioso diamante, perfumado jasmim
Eras tu que ao meu mundo davas a cor
e nele escondias chorando, a tua dor
calando na alma, o teu sincero amor
Agora sou eu frágil e sei-o bem
Isolado pela arrogância que se mantém
Cego num mundo vazio por dentro e fora
Desde o momento em que te foste embora
E frágil sê-lo-ei até perecer
Lembrando o teu rosto no amanhecer
As tuas patetices de que ria com emoção
Até o estranho tique quando mentias… e eu não
Apenas na solidão recordamos quem partiu
Quem por ser frágil, foi abusado e fugiu
Levando a essência do melhor de mim…
onde tudo se esvaiu...
E a revolta que provocou o momento
A guerra que fez cair o nosso firmamento
Foi estupida e cruel… e Deus sabe o quanto lamento
…o quanto eu choro esse momento
Somos frágeis os dois, é a verdade
Diferentes pessoas, mas a mesma realidade
Pois ser frágil não é sinónimo de fraqueza
É sim o que nos torna nobres, até na pobreza
Apenas restam as lembranças, as cinzas ainda quentes
As imagens, o teu cheiro… retalhos de um passado recente
De quem quebrou frágil e fragilizou o meu presente