Nas minhas mãos sinto o acetinado da sua pele
Escorregadia nos meus dedos…
A minha boca, hipnotizada, entreabre-se
Os meus olhos dançam acompanhando o gesto atordoante…
Saboreio a sua polpa…
Macia e doce… proveniente do ovário da flor…
Será real ou irreal?
Mas, afinal, o que é real? E o que é irreal?
Tem volume, ocupa espaço…é em si corpo..
Mas também…
Expressão sensória de essência…
Reflexo do mistério palpável…
Matéria que foi medrando
Ao sol e à chuva
Na gestação
Da sua corporalidade…
Flores e frutos
Exteriorização do enigma...
Da paixão violenta da Natura..
Da viagem do escuro para a luz..
Cores…paladares…odores…
De um real irreal…
De um irreal real…
Que o corpo e a alma sentem…
No vazio de uma boca
Vibrante na assombração
Das suas labaredas interiores…
AGOSTO - 2011