Arrastarei as maldições
Chamarei desilusões
Na tão terra lusa
Pararam todos os receios
Navegando com barqueiros
Aprendi o que era fado
Sem nunca o ter cantado
E amores meus um dia
Morrerei de alegria
Por alcançar felicidade
Abandono a saudade desgraçada
E mato flagelos em guitarradas
Tiro as cordas
À guitarra
Enquanto o mar matreiro
Controlador, feiticeiro
De regalias, de sentidos
Orei em igreja divina
Na capela pequenina
Onde trocamos os beijos
Abandonamos desejos
Ai, ó Deus, sagrado sejas
Que por bem sempre nos vejas
E deixado seja o mal
Prece à crença dos meus avós
Que sempre estará entre nós
A tradição portuguesa
Durante a desfolhada
Ouvi uma canção magoada
De quem perdeu as lágrimas
Consolei pobre criança
Que guardava essa esperança
De olhos voltados para o mar
E ensinei-lhe a cantar
Ai, adeus, até algum dia
Se errei, perdoa pois queria
Alcançar sempre o melhor
Amaremos nosso destino
Como se fossemos peregrinos
Buscando a morte sem caminho.
Pedro Carregal