. façam de conta que eu não estive cá .
o meu dorso de espinhos, animal sem-asas, minha certa agonia, meu coração- pássaro. o que farias se te abrissem as pernas à procura de dor e não encontrassem sangue. pergunto-te. de noite é assim: fugir com as patas traseiras do frio, deixar as dianteiras para trás à procura de amor. sempre quis correr e o mundo inteiro não cabe debaixo de um braço. ter de o partir. como a ti quando a insónia chega camuflada na noite. há certa beleza neste processo de fuga, sei, no entanto hoje não a encontro. queria dormir como um urso. hibernar umas estações de sono até não te ouvir. e ouvir-te constantemente a martelar memórias na cabeça. cortar a cabeça, focinho chão fora - correr corpo louco.estende-lo à aridez da imagem, esticar o peito. os espinhos do dorso todos dentro: peço. os espinhos do dorso todos dentro, agora. viver. viver. morrer sempre. correr mais um pouco.